Marco Regulatório da IA avança no Brasil e redefine o futuro do live marketing

Em dezembro de 2024, o Brasil deu um passo relevante na construção de diretrizes para o uso da Inteligência Artificial ao aprovar, no Senado Federal, o PL 2.338/2023. O projeto, qu…

Por Nádia - Orya · · 5 min de leitura

Marco Regulatório da IA avança no Brasil e redefine o futuro do live marketing

Em dezembro de 2024, o Brasil deu um passo relevante na construção de diretrizes para o uso da Inteligência Artificial ao aprovar, no Senado Federal, o PL 2.338/2023. O projeto, que ainda segue em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe um conjunto de princípios, classificações de risco e obrigações que devem orientar o desenvolvimento e a aplicação de sistemas de IA no país.

Embora o debate público frequentemente associe regulação à burocracia, o movimento observado no Brasil segue uma tendência global: a transição da IA de um estágio experimental e oportunista para um ambiente mais estruturado, previsível e orientado por responsabilidade. Para setores intensivos em experiência e tecnologia — como o live marketing — essa mudança não representa uma limitação, mas um reposicionamento de expectativas.

Da conveniência à responsabilidade

Nos últimos anos, a adoção de Inteligência Artificial em eventos, congressos e ativações cresceu de forma acelerada. Ferramentas de tradução simultânea, personalização de conteúdo, análise de comportamento do público e automação de interações passaram a compor a base de experiências mais imersivas.

No entanto, grande parte dessas aplicações foi implementada sob uma lógica de conveniência: soluções eficientes, porém pouco transparentes. O funcionamento dos sistemas — como dados eram coletados, processados e utilizados — raramente fazia parte da discussão estratégica.

O marco regulatório em discussão altera esse cenário ao introduzir princípios como transparência, não discriminação e responsabilização. Na prática, isso significa que sistemas de IA deixam de ser “caixas-pretas” operacionais e passam a exigir clareza sobre seus critérios de funcionamento, especialmente quando impactam diretamente a experiência e os direitos dos usuários.

O impacto direto nos eventos e experiências

Para o mercado de live marketing, a mudança é estrutural.

A utilização de IA em ambientes físicos e híbridos — como pavilhões, feiras e grandes congressos — passa a demandar não apenas eficiência técnica, mas também governança. Isso inclui:

Clareza sobre quais dados estão sendo coletados e com qual finalidade Capacidade de explicar decisões automatizadas que impactam o usuário Mitigação de vieses em sistemas de recomendação e personalização Estrutura de responsabilidade em caso de falhas ou distorções

Em um cenário regulado, a experiência do participante deixa de ser apenas uma questão de engajamento e passa a envolver confiança. A sofisticação tecnológica, portanto, não será medida apenas pela inovação visível, mas pela solidez invisível que sustenta essa experiência.

Classificação de risco e novas exigências

Um dos pontos centrais do projeto é a classificação de sistemas de IA por níveis de risco. Aplicações consideradas de maior impacto — especialmente aquelas que influenciam decisões, comportamento ou acesso a serviços — tendem a ser submetidas a exigências mais rigorosas.

No contexto de eventos, isso pode abranger desde sistemas de reconhecimento de padrões de comportamento até soluções que personalizam jornadas em tempo real. Quanto maior o grau de influência da IA sobre o participante, maior tende a ser a necessidade de documentação, auditoria e explicabilidade.

Esse movimento aproxima o live marketing de padrões já observados em setores como financeiro e de saúde, onde tecnologia e regulação caminham de forma integrada.

Um novo critério de competitividade

A consequência direta desse cenário é uma mudança no critério de diferenciação do mercado.

Se, até então, a vantagem competitiva estava associada à adoção de tecnologias mais avançadas, o novo contexto aponta para um fator adicional: a confiabilidade. Empresas que conseguirem operar com transparência, controle e clareza sobre seus sistemas terão uma vantagem estratégica não apenas regulatória, mas também reputacional.

Para marcas e organizadores de eventos, isso se traduz em um novo tipo de risco — e, ao mesmo tempo, em uma nova oportunidade. A experiência entregue ao público passa a ser avaliada não apenas pelo impacto, mas pela integridade de sua construção.

O posicionamento da Orya

É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas regulatória e passa a ser estratégica.

Na Orya, a Inteligência Artificial nunca foi tratada como um recurso isolado ou uma camada superficial de inovação. Desde a sua concepção, a tecnologia foi estruturada como uma infraestrutura de inteligência orientada à compreensão em tempo real, à transparência operacional e à consistência de dados.

Mais do que traduzir ou automatizar interações, a proposta é criar um ambiente onde a informação circula com clareza, contexto e rastreabilidade — elementos que, agora, passam a ser formalmente valorizados pelo avanço regulatório.

Isso significa que, em vez de adaptar-se a uma nova exigência, a Orya se posiciona alinhada a um movimento que já estava em curso: a evolução da IA de ferramenta para sistema crítico, que exige não apenas performance, mas governança.

O futuro do live marketing sob nova lógica

À medida que o PL 2.338/2023 avança em sua tramitação, o mercado tende a se preparar para um ambiente onde tecnologia e responsabilidade caminham lado a lado.

Para o live marketing, isso representa o fim de uma fase marcada pela experimentação sem restrições claras e o início de um novo ciclo, onde cada decisão tecnológica carrega implicações mais amplas — jurídicas, éticas e estratégicas.

Nesse contexto, a pergunta central deixa de ser “qual tecnologia usar?” e passa a ser “como essa tecnologia opera, impacta e se sustenta ao longo do tempo?”.

A resposta a essa pergunta será, cada vez mais, o que separa experiências impressionantes de experiências verdadeiramente confiáveis.

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Tags: Tecnologia, lei, brasil