Natalie Acera: a voz dos eventos e das feiras de negócios
Produtora, montadora, expositora e professora, Natalie Acera tem 30 anos de feiras e defende: a voz dos eventos é a comunicação, não a tecnologia.
Por Nádia - Orya · · 10 min de leitura
Natalie Acera, a Voz dos Eventos: Por Que Barreira Nunca Foi Só o Idioma
Um visitante caminha pelo corredor de um congresso internacional. Ele tem poucos segundos, não minutos, segundos, para decidir se entra no seu estande.
Para Natalie Acera, estrategista em feiras de negócios com 30 anos de mercado entre produção, montagem e exposição, é nesse intervalo mínimo que a maioria das oportunidades comerciais já está perdida, muito antes de qualquer venda ser tentada.
A frase que resume sua visão sobre evento sem barreiras é direta: não existe. O que existe é comunicação bem ou mal resolvida. E é essa diferença que decide se um expositor internacional sai de um evento com negócio fechado ou com uma oportunidade que nunca chegou a começar.
Se a voz dos eventos é o que conecta quem expõe a quem visita, é nela que Natalie pede atenção.
Quem é Natalie Acera e por que sua visão pesa
Natalie não fala do mercado de feiras de negócios como quem observa de fora. Ela nasceu dentro dele.
"Minha família está há 30 anos no mercado de feiras de negócios. Antes de eu nascer, meu pai já estava nesse mercado. Ele é argentino, veio para o Brasil, se conectou com esse mundo e não saiu mais. Minha primeira feira foi uma UD."
Natalie Acera
Essa vivência se transformou em algo raro no setor: uma visão 360 graus. Natalie já atuou como:
- Produtora
- Montadora
- Expositora
São os três lados de uma mesma operação, que normalmente enxergam o evento de ângulos diferentes e quase nunca conversam entre si. Nos últimos 15 anos, ela consolidou essa trajetória como especialista em feiras de negócios e à frente de um grupo de empresas do segmento.
"Acompanhei todos os lados: de quem produzia, de quem construía, de quem executava. Já fui expositora. Com essa visão 360, hoje consigo ajudar os expositores a pensarem e a entregar uma feira melhor de forma estratégica."
Natalie Acera
Hoje é professora e mentora de expositores que querem participar de feiras de negócios com mais inteligência e propósito, além de criadora do método Expositor Inteligente. E defende que comunicação, não tecnologia, é o pilar central de qualquer feira de negócios.
O que muda em 30 anos de eventos, e o que nunca muda
Quando perguntada sobre como o mercado evoluiu desde que seu pai chegou ao Brasil, Natalie separa duas coisas que costumam ser confundidas: o formato do evento e o motivo pelo qual ele existe.
"Muita coisa mudou em construção, tecnologia, percepção. Mas o que não mudou foi o básico do que uma feira de negócios existe: esse encontro entre fornecedores e clientes, esse encontro de pessoas, para que pudessem gerar negócios."
Natalie Acera
A pandemia acelerou os eventos online e, na época, levantou uma dúvida real sobre se o presencial perderia espaço. A resposta dela é que o digital ampliou alcance, mas não substituiu o motivo do encontro.
"Claro que ajudou muito, porque hoje somos cada vez mais globais. Mas nunca vai deixar de existir esse convívio de pessoas. Essa intenção nunca deixou de existir e não vai deixar."
Natalie Acera
A tecnologia amplia quem consegue participar. Não substitui por que as pessoas participam.
Existe um evento sem barreiras?
É aqui que a conversa muda de tom. Perguntada diretamente sobre o que seria um evento sem barreiras, Natalie não descreve uma condição ideal. Ela questiona a própria pergunta.
"Eu acho que não existe um evento sem barreiras."
Natalie Acera
A explicação vem em seguida, e é onde ela ancora todo o resto do raciocínio: se a razão de existir de uma feira é conectar pessoas para gerar valor, então a comunicação não é um detalhe de apoio. É a condição para que isso aconteça.
"A intenção de uma feira de negócios é as pessoas poderem aprender, trocar, comprar, vender. E para isso, a comunicação é a base mais importante para que isso aconteça."
Natalie Acera
Ela aponta um erro comum entre expositores e produtores: confundir "conseguir se comunicar" com "se comunicar bem".
"Às vezes os expositores e produtores ficam confiantes no portunhol, confiantes no inglês básico, e acham que vão fechar o olho e encarar: o importante é só se comunicar. Não. O importante é se comunicar bem."
Natalie Acera
O erro que custa caro: tratar o idioma como detalhe operacional
Volte ao visitante andando pelo corredor do congresso. Segundo Natalie, o que decide se ele entra no estande não é só o que está escrito na comunicação visual. É se ele entende aquilo rápido o suficiente.
"Um visitante tem poucos segundos para decidir se ele entra no seu estande, se ele se comunica com você ou não. Isso tem muito a ver com a sua comunicação visual: às vezes você está num estande, numa feira, e demora para a pessoa entender o que você faz. Aí você já perdeu a conexão, e a pessoa nem entra para elaborar um assunto com você."
Natalie Acera
E quando esse mesmo problema acontece em outro idioma, o custo não é apenas uma venda perdida. É a perda de uma rede de relações que aquele contato poderia ter aberto.
"Essa questão do idioma não é um detalhe só operacional nas feiras de negócios. Ela não te faz perder só uma venda: ela te faz perder uma possibilidade e uma conexão muito maior."
Natalie Acera
A barreira nunca foi o idioma em si. Foi tratar a comunicação como um detalhe secundário.
A ansiedade que todo produtor conhece
Há uma preocupação específica que Natalie descreve como constante entre quem organiza congressos e feiras internacionais: o medo de que a tradução falhe justamente no momento técnico mais importante da apresentação.
"A preocupação é gigante, porque... e se aquela pessoa que está traduzindo não traduz da forma correta? E se aquele palestrante tem um idioma materno que não é o inglês ou o espanhol, que hoje é o que a maioria dos tradutores fala?"
Natalie Acera
O conselho que ela dá aos seus expositores vai direto ao ponto: falar um idioma razoavelmente bem não é o mesmo que dominar o vocabulário técnico de um setor.
"Não adianta só você contratar alguém que diz que fala um bom inglês, porque tem muitos termos específicos que muitos deles não sabem. Aí a comunicação, que é a base para que a experiência fique melhor, não acontece. E frustra."
Natalie Acera
Ela cita os congressos médicos como o exemplo mais extremo desse risco: um ambiente onde a terminologia técnica deixa pouca margem para erro de tradução.
"Os congressos médicos são, acho, o ambiente com mais palavras difíceis para um tradutor conseguir traduzir. Se a inteligência artificial consegue ter essa percepção na hora de traduzir, quem está ali aprendendo vai aprender da forma correta. Isso é incrível."
Natalie Acera
Por que confiabilidade muda a experiência
Depois de conhecer a proposta da Orya durante a conversa, Natalie destacou dois pontos que, para ela, mudam a relação de confiança entre produtor e ferramenta de tradução: a responsabilidade de quem contrata e a permanência do conteúdo.
"Se eu, como produtor do evento, trago vocês para isso, eu estou licenciando vocês. Então não é uma tradução qualquer. Quando você me trouxe a questão de que isso também fica armazenado, que eu também posso interagir, isso me traz um outro laço de confiança."
Natalie Acera
Ela também reconheceu, pela própria experiência como palestrante, uma limitação que intérpretes humanos enfrentam quando o idioma do palco muda no meio de uma frase.
"Os tradutores são preparados, mas não tão preparados para essa mudança rápida de idioma. Às vezes eu estou dando uma palestra em inglês, mas meu idioma materno é o português, e não consigo explicar uma coisa em inglês. Eu falo: desculpa, vou traduzir em português, depois vocês veem como a gente resolve isso. Essa tecnologia já traz isso, e traz uma tranquilidade muito maior para os produtores."
Natalie Acera
É importante marcar que essa é a leitura de Natalie sobre a tecnologia depois de vê-la em uma demonstração, não um dado de desempenho da Orya. Mas é exatamente esse tipo de validação, vindo de alguém com 30 anos de mercado, que dá peso à discussão sobre onde a tradução tradicional ainda deixa lacunas.
O recado de Natalie para quem organiza e expõe eventos
Ao final da conversa, Natalie deixou uma mensagem que resume sua posição, não apenas para os expositores que ela orienta, mas para agências, montadoras e produtores de forma geral.
"O que nós temos como intenção para esses encontros, sejam eles congressos, eventos, summits ou feiras, é esse pilar mais importante, que é a comunicação. Precisamos defender isso para continuar construindo cada vez mais coisas. A educação faz parte disso."
Natalie Acera
O que isso muda na forma de pensar um evento internacional
Se a comunicação é a condição para que um evento cumpra sua função, que é conectar pessoas para gerar valor, então tratá-la como item de logística, resolvido na véspera com "alguém que fala inglês", é decidir de antemão quantas conexões vão se perder.
A tradução simultânea com IA resolve a parte técnica desse problema:
- Latência menor
- Domínio de vocabulário específico
- Disponibilidade em qualquer idioma que o participante escolher
Mas a virada de perspectiva que Natalie propõe é mais ampla: comunicação clara, visual e verbal, antes, durante e depois do evento. Cuidar da voz dos eventos é isso.
Quem organiza ou expõe em eventos internacionais sem esse cuidado não está apenas correndo um risco técnico. Está decidindo, sem perceber, quantas oportunidades vai deixar na mesa.
Se o palco é grande, a inteligência é Orya.
Perguntas Frequentes
O que é um evento sem barreiras?
Segundo Natalie Acera, não existe um evento totalmente sem barreiras. Existe comunicação bem resolvida ou mal resolvida. Quanto mais clara for a comunicação entre organizadores, palestrantes, expositores e público, menores as barreiras que separam essas pessoas de gerar valor entre si.
Por que a comunicação é mais importante do que a tradução em si?
Porque a tradução é apenas uma parte da comunicação. Um evento pode ter tradução tecnicamente perfeita e ainda falhar se a comunicação visual do estande, a clareza da mensagem ou o vocabulário técnico usado não fizerem sentido para quem está do outro lado.
Qual é o maior erro dos expositores em relação ao idioma?
Tratar o domínio básico de um idioma como suficiente. Falar um inglês ou espanhol intermediário não garante que termos técnicos específicos do setor sejam comunicados corretamente, e é exatamente aí que a experiência do visitante se frustra.
Como a inteligência artificial ajuda na tradução de eventos técnicos?
Ao ser alimentada com o vocabulário específico do contexto de cada evento, a IA consegue traduzir termos técnicos com mais precisão do que um tradutor generalista, além de lidar melhor com mudanças rápidas de idioma no meio de uma apresentação.