A ciência não deveria ter fronteiras: o papel da tradução simultânea em congressos científicos

A ciência não deveria ter fronteiras: o papel da tradução simultânea em congressos científicos Quando especialistas de países diferentes se reúnem para discutir um problema de saúd…

Por Nádia - Orya · · 8 min de leitura

A ciência não deveria ter fronteiras: o papel da tradução simultânea em congressos científicos

A ciência não deveria ter fronteiras: o papel da tradução simultânea em congressos científicos

Quando especialistas de países diferentes se reúnem para discutir um problema de saúde pública, o que está em jogo vai além da programação. Também importa quem consegue acompanhar, perguntar e contribuir. O XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, promovido pela FLASO, é um bom ponto de partida para essa reflexão. O evento está marcado para 28 a 31 de outubro de 2026, no Brasil, e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) será a anfitriã, em Salvador, na Bahia.

Reunir profissionais de uma região multilíngue em torno do mesmo tema levanta uma pergunta prática: como garantir que o conhecimento apresentado no palco chegue, com a mesma qualidade, a quem está na plateia? A resposta passa por planejamento e, cada vez mais, por tradução simultânea com apoio de inteligência artificial.

A ciência avança quando o conhecimento circula

Nenhuma pesquisa nasce isolada. Estudos são replicados, comparados e questionados por grupos de outros países, e é nesse vaivém que as evidências ganham solidez.

A FLASO é um exemplo dessa articulação regional. Ao anunciar seu congresso de 2020, a federação se apresentava como formada por 18 países da América Latina. O trabalho conjunto também aparece nos documentos de referência. O II Consenso Latino-Americano de Obesidade, de 2017, foi redigido pelos países membros: cada um recebeu um tema, e a revisão crítica ficou a cargo de outro país. Esse método só funciona quando as pessoas conseguem ler, ouvir e debater o trabalho umas das outras.

Os congressos são o espaço em que essa troca acontece ao vivo, e o congresso da FLASO muda de país a cada edição. A edição de 2024 foi organizada com a sociedade paraguaia, e a de 2026 acontece no Brasil. Cada mudança de sede traz novos idiomas, sotaques e vocabulários para dentro da sala.

Quando o idioma se torna uma barreira para o conhecimento

Entre português e espanhol existe uma proximidade que facilita a conversa de corredor. Uma apresentação científica, porém, exige precisão de vocabulário e acompanha o ritmo de quem fala. Isso nem sempre é confortável para quem ouve em segunda língua, e a barreira pesa mais quando o idioma de trabalho é o inglês, comum em eventos internacionais.

Um estudo publicado na PLOS Biology ajuda a dimensionar o problema. Ele ouviu pesquisadores de ciências ambientais, não da saúde, mas o padrão é revelador. Quem não tem o inglês como língua materna precisa de até o dobro do tempo para ler e escrever artigos e preparar apresentações, e muitos desistem de frequentar e apresentar trabalhos em congressos internacionais por insegurança com o idioma. Segundo uma reportagem sobre o tema, entre 30% e 50% dos pesquisadores em início de carreira que trabalham em segunda língua evitam conferências ou apresentações orais. Os autores observam que essas desvantagens afetam mais quem está no começo da carreira e quem vem de países de renda mais baixa.

Não há dados equivalentes para o congresso de obesidade, e este texto não os presume. A lição é mais ampla: quando o idioma limita quem participa, a ciência perde vozes e perspectivas.

O papel da tradução simultânea em congressos científicos

A tradução simultânea permite que o participante ouça a apresentação em seu idioma quase ao mesmo tempo em que o palestrante fala. Isso favorece a compreensão e dá confiança para participar das discussões, inclusive nas perguntas ao final das sessões.

Vale distinguir três soluções que costumam ser confundidas:

Cada uma atende a uma necessidade. Em congressos, a combinação de áudio traduzido e texto de apoio tende a atender públicos diferentes, de quem prefere ouvir a quem precisa ler, inclusive pessoas com deficiência auditiva.

Tradicionalmente, a tradução simultânea depende de cabines, equipes de intérpretes e receptores distribuídos ao público. É um modelo consolidado, com resultados reconhecidos, mas exige estrutura física e planejamento que nem todo evento consegue arcar para todos os idiomas desejados.

Como a inteligência artificial está transformando a tradução em eventos

A IA ampliou as possibilidades desse cenário. Em vez de receptores, o participante usa o próprio celular para escolher o idioma e acompanhar a tradução em áudio ou em texto. Isso reduz a dependência de equipamentos dedicados e facilita a oferta de mais idiomas.

Já existem testes em eventos científicos reais. Em 2025, o Congresso Internacional de Biologia da Conservação serviu de experimento para pesquisadores da Universidade de Queensland. A equipe ofereceu transcrição e tradução ao vivo, com IA, de todas as apresentações orais para mais de 60 idiomas. Pesquisas antes e depois do evento mostraram que participantes não nativos em inglês relataram menos dificuldade para preparar apresentações e fazer contatos.

É preciso ser claro sobre os limites, sobretudo na área médica. Pesquisas sobre tradução automática na saúde apontam que os erros mais associados a risco clínico elevado envolvem terminologia médica e omissões. Há também a orientação, comum em guias de comunicação em saúde, de que a tradução automática pode ajudar, mas exige revisão humana qualificada nos materiais de maior impacto.

Esses estudos tratam principalmente de textos, não de apresentações ao vivo, mas servem de alerta. A IA não elimina o risco de interpretação equivocada e não substitui intérpretes humanos em todas as situações. Para sessões em que cada termo pesa, como diretrizes e consensos, o ideal é avaliar caso a caso e combinar tecnologia com supervisão humana.

O futuro dos eventos científicos é cada vez mais conectado

Um congresso multilíngue bem planejado começa antes do primeiro dia. Para organizadores e associações científicas, algumas perguntas ajudam a decidir:

Soluções escaláveis tornam essas respostas mais viáveis. Um evento que antes oferecia dois idiomas pode, em tese, ampliar a cobertura sem multiplicar a estrutura física. A qualidade continua dependendo de preparo, de testes e de transparência sobre o que a tecnologia faz bem e onde precisa de apoio.

A ciência não deveria ter fronteiras. Nem idiomas.

Congressos como o da FLASO existem para que o conhecimento circule entre países, e a língua não deveria decidir quem aproveita essa circulação. A tecnologia de tradução simultânea é um dos caminhos para aproximar quem produz ciência de quem precisa dela.

É com essa visão que a Orya, empresa brasileira de inteligência artificial aplicada a eventos, desenvolve sua plataforma. Segundo o site da empresa, ela entrega áudio traduzido, legendas ao vivo, transcrição e Libras no celular do participante. A missão é usar a tecnologia para aproximar pessoas, conteúdos e experiências, com responsabilidade sobre o que ela pode e o que não pode fazer.


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Texto alternativo da imagem de capa: Participantes de um congresso científico internacional acompanham uma apresentação com tradução em tempo real pelo celular

Link interno: https://orya.pro (única página verificada; trocar se existir página dedicada a congressos ou ao blog)


Fontes consultadas